Apesar de a Assembleia Geral da ONU marcar a primeira vez em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estarão no mesmo lugar, os líderes não devem se reunir reservadamente, segundo fontes do governo.
Durante sua participação na semana de alto nível em Nova York, a partir da próxima segunda-feira (22), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve manter encontros bilaterais com chefes de Estado e de governo e com o secretário-geral da ONU.
Porém, não houve movimentação para uma reunião com Donald Trump, de nenhuma das partes, segundo interlocutores.
Fontes diplomáticas e do governo, que organizam a agenda do presidente brasileiro nos Estados Unidos, afirmaram que diversos convites para encontros com Lula foram feitos, mas nenhum por parte da diplomacia americana. Da mesma forma, a diplomacia brasileira não enviou um pedido de reunião ao governo Trump.
O Brasil normalmente não solicita encontros bilaterais durante a assembleia porque a agenda é muito sobrecarregada e há muitos eventos agendados pela ONU, diz uma fonte. A diplomacia brasileira, portanto, costuma receber convites, e não pedir.
Um interlocutor afirmou à reportagem que, pela projeção internacional de Lula, novamente o Brasil recebeu “muitíssimos pedidos”, mas só poderá atender a poucos deles, pela exiguidade do tempo.
Outra fonte afirma que os encontros são marcados às pressas, nas janelas entre os eventos multilaterais, para casar as agendas das autoridades e “muitas vezes você marca um que nem é o mais importante, porque o mais importante não deu certo”.
Apesar de não ser a praxe os encontros partirem do Brasil, a assembleia acontece em meio à escalada de tensões entre Brasil e Estados Unidos, desencadeada pelo tarifaço de Donald Trump e o anúncio de sanções políticas a ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) e outras autoridades brasileiras.
Fontes do governo brasileiro já vinham dizendo que, desde a imposição das tarifas de 50% sobre o Brasil, o cenário tem sido de difícil interlocução, sem canais consolidados na diplomacia americana e com um clima hostil para buscar diálogos sobre temas bilaterais.
Cúpulas à margem da Assembleia Geral da ONU
O desencontro entre Lula e Trump também deve ser evidenciado nas cúpulas que acontecerão à margem da assembleia, em três delas especialmente.
A primeira é a “Conferência para a Implementação da Solução de dois Estados”, no dia 22 de setembro, onde dez países reconhecerão o Estado Palestino.
A segunda é a reunião de líderes progressistas “Em defesa da democracia, combatendo o extremismo”, organizada por Chile, Brasil e Espanha, no dia 24. E a terceira é “Cúpula do Clima”, também neste dia, organizada pelo secretário-geral da ONU, com apoio do presidente Lula.
O Brasil ajudou a planejar ou teve papel central nos três eventos, que não devem contar com a presença de Donald Trump.
Fontes diplomáticas inclusive disseram que o governo brasileiro já espera algum ataque de Trump às cúpulas, de forma semelhante ao que ocorreu durante o encontro do Brics no Rio de Janeiro em julho, quando o republicano ameaçou sobretaxar os países do grupo.